Situação financeira e rumos da CEB Distribuição são tema de debate na Câmara Legislativa

O presidente da Companhia Energética de Brasília, Edison Garcia, e diretores do grupo CEB participaram, nesta terça-feira (25/06), de audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Legislativa do Distrito Federal, organizada pelo deputado distrital Chico Vigilante (PT), com o objetivo de debater a situação financeira da CEB Distribuição e soluções para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro da Companhia.


A audiência teve a participação de representantes do Sindicato dos Urbanitários (STIU-DF) e a presença de funcionários da Companhia, que ocuparam as galerias do auditório da Casa.

 

 

O presidente da Comissão, deputado Chico Vigilante, iniciou a audiência reforçando que energia é uma questão de cidadania e que a intenção é a colaboração para o fortalecimento da CEB.


“Eu vivi até os 24 anos em uma casinha de palha sem acesso à luz, sei o quanto é ruim. Energia dá dignidade ao cidadão e só uma empresa com a visão social como a CEB pode levar cidadania para a população mais carente. Precisamos trabalhar visando o fortalecimento da nossa CEB”, afirmou.

 


O presidente da CEB e diretor-geral da CEB Distribuição, Edison Garcia, alertou que a empresa tem um gasto maior do que o faturamento e que a companhia corre o risco de perder a concessão já no fim de 2019.


“Se não atingirmos os indicadores e cumprirmos as cláusulas contratuais estabelecidas pela gestão anterior com a ANEEL, no ato da renovação da concessão da CEB em 2015, a companhia terá a caducidade de sua concessão. Por mais que o esforço dos trabalhadores da CEB, que muito valorizamos, tenha ajudado a recuperar os indicadores de DEC e FEC, outros indicadores foram comprometidos ao longo do tempo e corremos o risco de não cumprir essas metas ”, destacou Garcia. Para ele, a abertura de capital é a alternativa para assegurar o equilíbrio econômico-financeiro da distribuidora.


Muito citadas na audiência, as siglas DEC e FEC significam, respectivamente, “Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora” e “Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora”. Os dois indicadores permitem que a ANEEL avalie a qualidade dos serviços prestados pela CEB Distribuição à população do Distrito Federal.


O diretor financeiro da CEB Dis, Armando Casado, apresentou na audiência as demonstrações financeiras de 2018 e do primeiro trimestre de 2019. No ano passado, a Companhia apresentou um prejuízo de R$33,7 milhões, além de EBITDA (geração de caixa após despesas operacionais) de R$89,5 milhões e dívida bruta de R$1 bilhão.


Casado mencionou ainda parecer do auditor independente que aponta “incerteza quanto à continuidade operacional da companhia por deficiência de capital de giro e alto índice de endividamento”. O prejuízo do primeiro trimestre de 2019 foi de R$ 29 milhões de reais e o EBITDA de R$ 8,5 milhões.


Discursaram contra a privatização da CEB o diretor João Carlos Dias Ferreira, do STIU e FACEB; a diretora Fabíola Latino Antezana, da Federação dos Urbanitários no Distrito Federal (STIU-DF); e servidores inscritos. Já o ex-diretor da CEB Distribuição Mauro Martinelli, convidado da Comissão, fez uma apresentação aos presentes destacando os indicadores de DEC e FEC obtidos pela CEB nos últimos anos e também se posicionou contra a transferência do controle acionário da empresa para o setor privado.


Como encaminhamento, ficou acertada a criação de um fórum de debates formado por representantes da diretoria e dos empregados da CEB, para discutir alternativas e as melhores soluções para a recuperação financeira e o fortalecimento da Companhia.


Os deputados distritais João Cardoso (AVANTE), Erika Kokay (PT) e Fábio Felix (PSOL) também estiveram presentes na audiência pública.

 

 Brasília, 25 de junho 2019.

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